
Eu,
Em meu lugar
Secaria de possibilidades
Quando me faço sol
No entanto
Escureço céus, trovejo
Lanço águas
E dos poucos raios quando
De mim parto
Caio improváveis vezes ao mesmo lugar
Areias, areias
Frágil vidro
Quebro-me.
Etiquetas: claridade, divergencias, ingenuidade, sinestesia, uisque
Etiquetas: espelhos.em outro.dimensão
(sei que me sentes
quando te tocam
as pontas dos dedos,
os lábios)
Aqui que é noite
e ai teu dia.
Mas o que me apreende
é a transitoriedade
do entre nós
nesse invisível caminho
que fazemos
sempre, sempre
de olhos fechados.
Etiquetas: tempo/noite/quiabo/invisibilidade/transitoriedade
Quis, grafados nas paredes meus poemas, mas assim eles pareceriam cicatrizes, sentimentos de sentir,dor passada que hoje só é marca, indelével , daquelas que se sente de olhos fechados, nas pontas dos dedos, no dificultar do movimento, no ofegar da respiração.
Pensei nas marcas e caminhando entre a janela e a escrivaninha , fui desligando tudo que me mantinha ligado ao mundo, preferindo receber noticias apenas pelos sinais dos céus, não, não tenho uma linha direto com os deuses, mas ainda sei perfeitamente perceber se choverá ou não e me basta saber isso.
As chuvas e seus excessos fazem destas paredes brotarem as marcas quase que invisíveis ao sol.
As chuvas levam rua abaixo toda a sujeira e nem sei o que acontece no final da rua.
As chuvas , as de vento, de verão, rápidas e devastadoras com raios e trovões me fazem aquietar o coração e apenas admirar a vida e ir.
Vou, mas isso é tão corriqueiro nessa vida de caminhos e idas que não me assusto e apenas me deixo levar.
Não gravarei nas paredes o poema que quero.
Nem sempre choveria pra eu vê-lo e é outono.
Elainemalmal®
Etiquetas: chuvas/outono/sentimentos/partida
foto JAN SAUDEK
Não há nada alem dos rastros
Sobre o pó
Posso dizer apenas que foi o vento
O tempo
e o pouco uso
de tudo a volta
Só movimento na cortina
do vento forte
dado de graça
à graça de quem iça a vela ao vento
de mim ?
passa que o vento cala
e sugo o silencio
tentando dele tirar
sustento e libertação.
Enganei-me, e deliberadamente e todas as vezes que disse amar.
Amava a sensação de amar
Mesmo que não amando o amor que a mim se apresentava.
Mãos estendidas, assim como se dá a um aperto de mãos num cumprimento, num acenar à altura do umbigo, plexo de alguma coisa.
Amava numa definição exotérica qualquer que pudesse me transportar ao lado oriental do mundo, mesmo porque meu senso de direção é péssimo.
Amava num clamor de direção inversa à vida morna.
Mas amava.
Amava aquela vontade de ter vontade de ver, que eu pensava que preenchia meu pensar, que eu achava que me fazia encontrar, que me perdoava os pecados conjugados, perpetrados, junto aos que se pudesse sonhar.
Eu amava.
Amava a comunhão clara de apenas um olhar e silencio.
Amava deliberadamente em um tempo qualquer onde não cabia passado, futuro.
Amava assim apenas aquele dia,