DespudoraAlma & PessoaComum
sábado, 12 de Setembro de 2009
Sentada, costas apoiadas num muro de pedras geladas e a minha frente apenas a grandeza do mar, oprimindo e quase cedendo as investidas do vento ,que forte, tentava degradá-lo, nem que fosse um pouquinho só, o vento, quando me trazia ao rosto o mar em pequenas gotas, molhando devagar e quase sem se notar, depositando míseras porções de sal sobre minha pele, acomodando-se, deixava-me também a duvida se essa era a maneira sutil dele me mostrar que eu faria parte do contexto ou se aquela imensidão toda literalmente iria consumir , a principio, meu corpo e depois minha mente e meu silencio, em meu silêncio o quase nada... Não sabia as respostas, não sabia ao menos dimensionar grandezas ou definir quem poderia ter mais poder, se o mar ou o vento , talvez eu.
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Eu,
Em meu lugar
Secaria de possibilidades
Quando me faço sol
No entanto
Escureço céus, trovejo
Lanço águas
E dos poucos raios quando
De mim parto
Caio improváveis vezes ao mesmo lugar
Areias, areias
Frágil vidro
Quebro-me.

Olhou acima de sua cabeça e viu apenas o céu, cinza-azulado com nuvens brancas de onde caiam gotas finas e constantes, silenciosas, quietas que penetravam as roupas, cabelos, corpo , suavemente, sem muito alarde. Permaneceu assim, olhos ao alto, quase sem expressão, quase sem denotar interesse, duvida, ansiedade, menos ainda que uma estatua de um santo qualquer que com os olhos pedisse clemência aos céus pelos atos de seus quase semelhante. Quase travestido pela súbita santidade, ainda permaneceu naquela posição pensando no que de poético poderia existir naquela cena, esquecendo também que era o protagonista da mesma, o centro das atenções a mártir e o carrasco, pronto pra executar caso fosse aceito seus motivos ou ser executado, sumariamente, sem dó, se fosse no embate, vencido. Teve dó de si. Aproveitou-se do rosto encharcado, chorou , deixou escorrer as lagrimas, lambeu-as com a ponta da língua, sentiu o sabor do sal e pensou que sal conserva, dá sabor, lembrou do mar e de associação em associação, sentiu-se engasgar, afogando, sem ar, afundando naquelas profundas águas salgadas, a luz foi ficando distante o céu colorindo-se de vermelho, o gosto adocicando. Não se deu conta de afogou-se no próprio sangue, garganta cortada. Perdeu a contenda.
quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Tenho nas veias,

vias contidas,

vida correndo

sem se notar.

Apenas sentida

na dormência da ausência.





Quase me corto

Quase me rompo

Quase me rasgo

E a medida exata da distancia desse quase agir

é o estancar

É a sujeira que a vida faz pra escorrer.





Pouso os dedos

Sinto o pulsar

Calmo, calo.
quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Pintou de branco as paredes escuras e trocou as cortinas por algo claro e fluido, que deixasse a luz entrar e junto a ela uma suposta alegria. Olhei aquilo tudo, branco e cheio de luz, enfiei a mão dentro da bolsa, procurando desesperadamente pelos meus óculos de sol. Quando senti nas mãos os óculos, imediatamente agradeci pelo meu salvador tato, que me permitia encontrar os óculos sem desviar o olhar dela que descrevia sorridente as mudanças feitas. Tentava em vão trocar de posição com ela e assim ficar de costas pra toda aquela claridade, ela, teimosamente não se movia e apenas me acompanhava com a cabeça. Estanquei, freando assim um ato de grosseria meu, enquanto girava os óculos nos dedos, esperando a melhor oportunidade de vesti-los. Ouvi a pergunta que me veio em câmara lenta e eu num súbito arroubo de sinestesia via as palavras vindo em minha direção, meio que bailando no ar, querendo fazer parte do cenário. _ Você não acha o quarto muito mais romântico assim? Mandei a depressão embora !!! Agora sou feliz! Ao mesmo tempo em que eu era literalmente tocado pelas palavras, colocava meus óculos absurdamente escuros e fingia não ver a cara de espanto dela. Não queria ter que explicar que gosto de penumbra, blues e uísque sem gelo.

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sábado, 20 de Junho de 2009

Imaginada a curva descendente
do olhar quase enternecido
singelo
meu deu dó
e chorei melancólico
não precisar sem espelhos
o tamanho dessa tristeza,
inútil, devo dizer
tão inútil que não lhe dei nome.


ELAINEMALMAL® MAIO/2009

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quarta-feira, 29 de Abril de 2009

(sei que me sentes
quando te tocam
as pontas dos dedos,
os lábios)

Aqui que é noite
e ai teu dia.

Mas o que me apreende
é a transitoriedade
do entre nós
nesse invisível caminho
que fazemos
sempre, sempre
de olhos fechados.

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quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Quis, grafados nas paredes meus poemas, mas assim eles pareceriam cicatrizes, sentimentos de sentir,dor passada que hoje só é marca, indelével , daquelas que se sente de olhos fechados, nas pontas dos dedos, no dificultar do movimento, no ofegar da respiração.

Pensei nas marcas e caminhando entre a janela e a escrivaninha , fui desligando tudo que me mantinha ligado ao mundo, preferindo receber noticias apenas pelos sinais dos céus, não, não tenho uma linha direto com os deuses, mas ainda sei perfeitamente perceber se choverá ou não e me basta saber isso.

As chuvas e seus excessos fazem destas paredes brotarem as marcas quase que invisíveis ao sol.

As chuvas levam rua abaixo toda a sujeira e nem sei o que acontece no final da rua.

As chuvas , as de vento, de verão, rápidas e devastadoras com raios e trovões me fazem aquietar o coração e apenas admirar a vida e ir.

Vou, mas isso é tão corriqueiro nessa vida de caminhos e idas que não me assusto e apenas me deixo levar.



Não gravarei nas paredes o poema que quero.

Nem sempre choveria pra eu vê-lo e é outono.



Elainemalmal®

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quarta-feira, 11 de Março de 2009
foto JAN SAUDEK

Não há nada alem dos rastros
Sobre o pó
Posso dizer apenas que foi o vento
O tempo
e o pouco uso
de tudo a volta

Só movimento na cortina
do vento forte
dado de graça
à graça de quem iça a vela ao vento

de mim ?

passa que o vento cala
e sugo o silencio
tentando dele tirar
sustento e libertação.

sábado, 7 de Março de 2009

Enganei-me, e deliberadamente e todas as vezes que disse amar.

Amava a sensação de amar

Mesmo que não amando o amor que a mim se apresentava.

Mãos estendidas, assim como se dá a um aperto de mãos num cumprimento, num acenar à altura do umbigo, plexo de alguma coisa.

Amava numa definição exotérica qualquer que pudesse me transportar ao lado oriental do mundo, mesmo porque meu senso de direção é péssimo.

Amava num clamor de direção inversa à vida morna.

Mas amava.

Amava aquela vontade de ter vontade de ver, que eu pensava que preenchia meu pensar, que eu achava que me fazia encontrar, que me perdoava os pecados conjugados, perpetrados, junto aos que se pudesse sonhar.

Eu amava.

Amava a comunhão clara de apenas um olhar e silencio.

Amava deliberadamente em um tempo qualquer onde não cabia passado, futuro.

Amava assim apenas aquele dia,


que não é agora.

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